O livro é passaporte, é bilhete de partida.
Bartolomeu Campos de Queirós
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Literatura na educação infantil
Muito bom saber que há projetos de leitura da literatura que estão dando certo...
segunda-feira, 26 de março de 2012
Feira do Livro de Bolonha
Há mais de um mês recebi o catálogo da Feira do Livro Infantil de Bolonha, mas só agora consegui escrever sobre o evento. Uma delícia olhar o catálogo brasileiro e identificar várias obras já conhecidas - e outras tantas ainda por explorar!
domingo, 25 de março de 2012
A menina e o vestido de sonhos
Retribuindo a visita de Cristina Sá, descobri esta linda história, escrita e ilustrada por Alexandre Rampazo e publicada pela Larousse Júnior. Nonsense, realismo fantástico e mundo onírico são elementos que compõem a obra poética, de acordo com o autor. Confira imagens do livro, retiradas do blog de Rampazo.
Mais:
Conheça mais o trabalho do escritor e ilustrador no seu blog.
Blog sobre Literatura Infantil, de Cristina Sá.
Blog sobre Literatura Infantil, de Cristina Sá.
sábado, 24 de março de 2012
Tarde de inverno
Lendo o livro Literatura Infantil: políticas e concepções, conheci a história Tarde de inverno, um delicado e profundo texto poético, acompanhado de uma narrativa visual emocionante. Escrito por Jorge Luján e ilustrado por Mandana Sadat, foi editado no Brasil pela Comboio de Corda, com tradução de Fabio Weintraub. O título faz parte do acervo de Educação Infantil do PNBE/2008, disponível, portanto, em diversas escolas públicas do país. A capa da edição em Português, porém, não encontrei na internet. Compartilho, então, imagens do site do escritor e texto da obra em Espanhol, que encontrei no blog la doble vie de veronique:
"Juega mi dedo en el vidrio empañado y dibuja una luna y dentro de ella a mi madre que viene por la calle y cabe justo en el dibujo que voy agrandando a medida que se va acercando hasta darme este abrazo que cabe exactamente detrás del vidrio del portarretrato."
"Juega mi dedo en el vidrio empañado y dibuja una luna y dentro de ella a mi madre que viene por la calle y cabe justo en el dibujo que voy agrandando a medida que se va acercando hasta darme este abrazo que cabe exactamente detrás del vidrio del portarretrato."
Mais:
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Guilherme Augusto Araújo Fernandes
Esta linda história é contada na forma de uma comovente narrativa poética, que as crianças vão adorar conhecer.
Autor: Mem Fox
Ilustrações: Julie Vivas
Tradutor: Gilda de Aquino
Sinopse
Este título é o nome do personagem, que era vizinho de um asilo de idosos, todos seus amigos. Mas era de Dona Antônia que ele mais gostava. Quando soube que ela perdera a memória, quis saber o que isso significava e foi perguntar aos outros moradores do asilo. Como resposta, ouve que memória é algo: bem antigo, que faz chorar, faz rir, vale ouro e é quente... Então, monta uma cesta e vai levá-la a Dona Antônia. Quando ela recebe os presentes 'maravilhosos', conchas, marionete, medalha, bola de futebol e um ovo ainda quente, cada um deles lhe devolve a lembrança de belas histórias.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Quando as montanhas conversam
Mais uma sugestão de obra poética de qualidade para trabalhar com as crianças, que acabei de conhecer através da minha orientadora.
Autor: Gloria Kirinus
Ilustrações: Graça Lima
Editora: Paulinas
A imaginação de Gloria Kirinus move montanhas nas tramas da palavra poética, qual ciranda de abraços e cuidados como a vida deve ser — e, quando conversam, as montanhas se inclinam e, até mesmo, dão ensaio a alguns vôos, enquanto o tempo gira seu novelo de cores e vai trocando a paisagem de suas roupas... Montanhas sábias, montanhas silenciosas, mas jamais imóveis ou insensíveis diante dos momentos especiais da criação que valem e velam: um cavalo alado na tela de um pintor, o nascimento de uma criança — a chave encantada do sol em suas mãos, as sementes e as colheitas, os versos que um poeta perde sobre o papel...
É o próprio estado de poesia que Gloria não deixa escapar, neste poema feito de raios luminosos de admiração sobre os instantes da vida, ao despertar simpatias pelo aceno do homem que lentamente se despede do mundo ou quando sete frondosas quedas de água desaparecem da câmara escura de um fotógrafo... Há vagas nestes versos para falarmos da preocupação da autora a respeito de uma ecologia interior — talvez a única capaz de preservar nossa humanidade neste planeta.
Ao presentear os leitores com o segundo título da coleção "Dobrando a Língua", Gloria Kirinus também afirma a irmandade entre as culturas e os anseios ibero-americanos. Seu texto é curiosamente dedicado ao Cerro San Cristóbal que dá contorno ao horizonte da cidade de Lima, no Peru, onde nasceu a autora e vivem seus sobrinhos. A cada página, as estrofes em português e em castelhano surgem justapostas à ilustração, permitindo saltos através do ondulado dos dois idiomas.
Cobrindo a superfície do papel preto com motivos populares, grafismos e massas de cores, Graça Lima aquece as imagens do livro com a densidade/porosidade de giz pastel. Os materiais escolhidos pela ilustradora lhe permitiram tirar bom proveito dos jogos de silhuetas, das sombras e dos contrates brilhantes. Diferentes céus aparecem ora muito acesos, ora coalhados de estrelas. Por vezes, as montanhas parecem estar cobertas por emaranhados padrões de uma colcha imaginária.
Texto de Peter O'Sagae, publicado originalmente em Dobras da Leitura.
Mais:
Leia o artigo A construção do poético em Quando as montanhas conversam, que apresenta uma análise da obra poética.
Site da autora Glória Kirinus.
Blog da ilustradora Graça Lima.
Autor: Gloria Kirinus
Ilustrações: Graça Lima
Editora: Paulinas
A imaginação de Gloria Kirinus move montanhas nas tramas da palavra poética, qual ciranda de abraços e cuidados como a vida deve ser — e, quando conversam, as montanhas se inclinam e, até mesmo, dão ensaio a alguns vôos, enquanto o tempo gira seu novelo de cores e vai trocando a paisagem de suas roupas... Montanhas sábias, montanhas silenciosas, mas jamais imóveis ou insensíveis diante dos momentos especiais da criação que valem e velam: um cavalo alado na tela de um pintor, o nascimento de uma criança — a chave encantada do sol em suas mãos, as sementes e as colheitas, os versos que um poeta perde sobre o papel...
É o próprio estado de poesia que Gloria não deixa escapar, neste poema feito de raios luminosos de admiração sobre os instantes da vida, ao despertar simpatias pelo aceno do homem que lentamente se despede do mundo ou quando sete frondosas quedas de água desaparecem da câmara escura de um fotógrafo... Há vagas nestes versos para falarmos da preocupação da autora a respeito de uma ecologia interior — talvez a única capaz de preservar nossa humanidade neste planeta.
Ao presentear os leitores com o segundo título da coleção "Dobrando a Língua", Gloria Kirinus também afirma a irmandade entre as culturas e os anseios ibero-americanos. Seu texto é curiosamente dedicado ao Cerro San Cristóbal que dá contorno ao horizonte da cidade de Lima, no Peru, onde nasceu a autora e vivem seus sobrinhos. A cada página, as estrofes em português e em castelhano surgem justapostas à ilustração, permitindo saltos através do ondulado dos dois idiomas.
Cobrindo a superfície do papel preto com motivos populares, grafismos e massas de cores, Graça Lima aquece as imagens do livro com a densidade/porosidade de giz pastel. Os materiais escolhidos pela ilustradora lhe permitiram tirar bom proveito dos jogos de silhuetas, das sombras e dos contrates brilhantes. Diferentes céus aparecem ora muito acesos, ora coalhados de estrelas. Por vezes, as montanhas parecem estar cobertas por emaranhados padrões de uma colcha imaginária.
Texto de Peter O'Sagae, publicado originalmente em Dobras da Leitura.
Mais:
Leia o artigo A construção do poético em Quando as montanhas conversam, que apresenta uma análise da obra poética.
Site da autora Glória Kirinus.
Blog da ilustradora Graça Lima.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Dez Sacizinhos
Autor: Tatiana Belinky
Ilustrações: Roberto Weigand
Editora: Paulinas
Este livro é uma brincadeira de subtrair sacis. Entre versos e estrofes, dez graciosos sacizinhos desaparecem, um a um, em acidentes como fogo no teatro, ingestão de comida estragada, jejum exagerado, quebra de regras... A Cuca acompanha o desenrolar da história camuflada nas formas e cores intensas do ilustrador Roberto Weigand. Um leitor mais desatento não a notará na ponta do arco-íris (sim, neste livro, o arco-íris tem ponta!) ou acomodada numa cadeira de praia. Assim, quando todos os sacis desaparecem, é ela que os traz de volta, sãos e salvos, para que autora e ilustrador instiguem o leitor a continuar a brincadeira.
Mais:
Site do ilustrador.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
A Arca de Noé
Uma casa que não tinha sequer parede, um pato atrapalhado, uma pulguinha insistente na perna do freguês, o tic-tac incansável de um relógio... Todos esses temas tornaram-se música e poesia através da obra intitulada A Arca de Noé.
O livro
Editora: Companhia das Letrinhas
"Arca de Noé" é também o título do primeiro poema desse livro. O conjunto é formado por 32 poemas, a maioria sobre bichos, e inclui os que constam dos discos Arca de Noé 1 e 2. Alguns foram musicados pelo próprio Vinicius de Moraes (1913-80) e se tornaram clássicos da MPB para crianças. (Um bom exemplo é o daquela casa "muito engraçada" que "não tinha teto/ não tinha nada".) Todos são poemas feitos para ler, aprender de cor ou cantar.
Prêmio Jabuti 1992 de Melhor Produção Editorial de Obra em Coleção
A Arca de Noé e A Arca de Noé 2
Gravadora: UNIVERSAL MUSIC
Mais:
Ouça as músicas na Rádio UOL.
Faça download do CD aqui.
Leia sobre o CD no site Caracol Imaginário.
Encontre os poemas e as músicas no site Vinícius de Moraes.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Ou isto ou aquilo
A LÍNGUA DO NHEM
Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.
E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,
ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
O VESTIDO DE LAURA
O vestido de Laura
é de três babados,
todos bordados.
O primeiro, todinho,
todinho de flores
de muitas cores.
no segundo, apenas
borboletas voando,
num fino bando.
O terceiro, estrelas,
estrelas de renda
- talvez de lenda...
O vestido de Laura
vamos ver agora,
sem mais demora!
Que as estrelas passam,
borboletas, flores
perdem suas cores.
Se não formos depressa,
acabou-se o vestido
todo bordado e florido!
OU ISTO OU AQUILO
OU ISTO OU AQUILO
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinque, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Abaixo, três edições da obra, com ilustradores diferentes, todas da Editora Nova Fronteira.
Sinopse: Um dos mais belos clássicos da poesia brasileira, Ou isto ou aquilo aborda os sonhos e as fantasias do mundo infantil: a casa da avó, os jogos e os brinquedos, os animais e as flores, tudo ganha vida nos poemas de Cecília Meireles.
Selecionado para os programas Salas de Leitura, da SEE/MG, Cantinho de Leitura e Implantação de Bibliotecas Públicas, do MinC.
Selecionado para os programas Salas de Leitura, da SEE/MG, Cantinho de Leitura e Implantação de Bibliotecas Públicas, do MinC.
Animação do poema A língua do nhem, com música de Dércio Marques.
Ouça alguns poemas de Cecília Meirelles, musicados por Luís Pedro Fonseca e cantados por Lena d'Água em 1992. As guitarras são de Mário Delgado:
Faça download do livro aqui.
Os poemas do livro podem ser apreciados também em áudio. Para download, clique aqui.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Braille Quintana
Dirigida aos mais de quarenta e seis mil jovens e crianças com deficiência visual, a Coleção reúne a obra infantil completa do poeta, ilustrada e musicada por grandes nomes do RS.
Uma Coleção inventiva homenageia o poeta gaúcho Mario Quintana, reunindo parte da sua obra infantil em volumes em BRAILLE e fonte ampliada com o patrocínio do Grupo CEEE SIM/LIC.
O Batalhão das Letras, Pé de Pilão e Lili inventa o Mundo são os três primeiros volumes da Coleção ilustrados por grandes desenhistas e acompanhados por trilha original criada, especialmente, por músicos gaúchos.
A Coleção Mario Quintana para a Infância desdobra três diferentes equipes, todas convidadas para um único objetivo: mergulhar na obra infantil e no universo do poeta Quintana, trazendo à tona o viés de cada obra, suas provocações, seus desafios, suas imagens e ideias, além de todo o processo de criação e de ação das equipes. A ideia é dar mais subsídios para a formação educacional e cultural dessas crianças e jovens que frequentam diversas instituições escolares nos 43 municípios do RS.
Dentro da Coleção está o DVD, que registra o processo de criação de todos os participantes e conta com uma análise crítica da obra do poeta realizada por Armindo Trevisan. Esse documento é mais uma ferramenta de ação e de inclusão para o público-alvo do projeto, crianças e jovens estudantes entre seis e catorze anos e seus docentes, que podem trabalhar com esse material de forma construtiva dando continuidade ao excelente conteúdo literário que é a obra do Quintana.
Este projeto realizou-se em parceria com a iniciativa privada e foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura, Lei número 10.846 de 19 de agosto de 1996.
Coleção Mario Quintana para a Infância - volumes 4 e 5
Sapo Amarelo e Sapato Furado são as obras de Mario Quintana que completam à Coleção, trazendo as participações de artistas, músicos, designers e ilustradores de Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
Financiamento Lei de Incentivo à Cultura
Apoios Casa de Cultura Mario Quintana, Estúdio SOMA, Gráfica Algo Mais, Ray Produtora, Viu? Multimídia
Patrocínio GRUPO CEEE, Secretaria de Infraestrutura e logística RS - Governo do Estado
Realização aprata, Ministério da Cultura Governo Federal Brasil País Rico é país sem pobreza
Menção Especial Prêmio Açorianos
A Galinha Preta, da obra Sapo Amarelo
Aquele estranho animal, também da obra Sapo Amarelo
Vídeos disponíveis originalmente em aprata.
Imagens disponíveis em: quintanaeterno.blogspot.com e grafar.blogspot.com
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Quintana e Lili inventam o Mundo
Velha História
Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que
apanhou um peixinho. Mas o peixinho era tão pequenininho
e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que
o homem ficou com pena.E retirou cuidadosamente o anzol
e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o
no bolso traseiro das calças, para que o peixinho sarasse
no quente. E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem
ia, o peixinho acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho.
Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelos cafés.Como era tocante
vê-los no "17"! - O homem, grave, de preto, com uma das mãos
segurando a xícara fumegante de moca, com a outra lendo
jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho,
enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava
uma laranjada com um canudinho especial...
apanhou um peixinho. Mas o peixinho era tão pequenininho
e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que
o homem ficou com pena.E retirou cuidadosamente o anzol
e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o
no bolso traseiro das calças, para que o peixinho sarasse
no quente. E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem
ia, o peixinho acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho.
Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelos cafés.Como era tocante
vê-los no "17"! - O homem, grave, de preto, com uma das mãos
segurando a xícara fumegante de moca, com a outra lendo
jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho,
enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava
uma laranjada com um canudinho especial...
Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam a margem do rio,
onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do
primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:
primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:
"Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que
roubar-te mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos
teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para
o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..."
roubar-te mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos
teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para
o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!..."
Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou
o peixinho na água. E a água fez um redemoinho, que foi
depois serenando, serenando...
até que o peixinho morreu afogado...
o peixinho na água. E a água fez um redemoinho, que foi
depois serenando, serenando...
até que o peixinho morreu afogado...
Assista ao curta que foi criado a partir dessa narrativa poética.
Disponível originalmente em Porta Curtas.
Essa linda história e mais outras tantas estão publicadas no livro Lili inventa o mundo. Veja sinopse abaixo.
Poemas e mais poemas, frases, textos curtos e uma instigante viagem. Na bagagem, não esquecer de levar a imaginação e a sensibilidade. O próprio autor, Mario Quintana, na abertura do livro, dá o recado ao leitor: As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada. E assim, pelas mãos desse grande poeta, dono de um discurso poético da mais alta qualidade, a rotina, as coisas simples, os pequenos acontecimentos do dia-a-dia, a natureza, as pessoas, os animais são reinventados, saem do lugar comum. O Inverno é um vovozinho trêmulo, com a boina enterrada até os olhos, a manta enrolada nos queixos e sempre resmungando: "Eu não passo deste agosto, eu não passo deste agosto..." A leitura de Lili Inventa o Mundo coloca a criança e o leitor de qualquer idade diante da possibilidade de viver a experiência de sonhar.
Leia a dissertação de Vânia Marta Espeiorin, Educação pelo poético: a poesia na formação da criança, que pesquisou sobre a obra Lili inventa o Mundo.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Poesia Infantil
Prosseguindo com as sugestões de leitura, gostaria de indicar algumas obras teóricas que tratam da mediação da leitura da poesia infantil. Através destas obras, os autores buscam fundamentar a importância de se abordar textos poéticos no primeiros anos escolares das crianças.
De acordo com o que já defendi aqui no blog, a poesia leva a criança a um mundo de encanto, através da sua inerente ludicidade, non sense e riqueza sintática, semântica e sonora. Em seu interior, ainda, abarca um universo de emoções e sentimentos diversos e comuns a todos os seres humanos, o que favorece o desenvolvimento emocional do leitor.
Muitos de nós, professores, infelizmente, não fomos apresentados a este gênero da maneira correta na infância, o que nos faz sentirmos insegurança para planejar aulas em que os poemas sejam o foco da mediação. Estes livros, portanto, vêm auxiliar-nos nesta tarefa desafiadora e apaixonante, que é a exploração da poesia no universo infantil.
Boa leitura!
Literatura Infantil de ponto a ponto*
"(...) O livro que temos em mãos conversa conosco, funciona como um repositário de nossas possíveis (e quase certas) perguntas. Em outras palavras, quem fala no texto é uma professora experiente, que conhece nossas dúvidas e inquietações e está disposta a enfrentá-las, munida de cabedal teórico e prático para tanto. A estrutura do livro é decorrente dessa postura dialogal e, por isso, os capítulos sucedem-se no batepapo de interrogações e afirmações. Igualmente, todas as questões estão relacionadas com a realidade, dela partindo ou a ela voltando através dos exemplos. Um livro dessa estirpe não representa apenas um material de apoio a todos os que se envolvem com a leitura literária da infância. Representa uma postura de vida de quem sabe distribuir o conhecimento que recebeu e a experiência que teve a oportunidade de acumular. Essa é uma das funções mais importantes da Universidade que, se deve produzir o conhecimento novo, deve também providenciar os meios de fazê-lo chegar à sociedade, para que ele se transforme em um bem comum. Nesse sentido, o trabalho de Flávia Brocchetto Ramos é um caso exemplar." (Vera Teixeira de Aguiar).
*A autora dedica um capítulo à poesia.A poesia vai à escola - Reflexão, comentários e dicas de atividades
Autora: Neusa Sorrenti
Editora: Autêntica
A proposta do livro é fazer com que o professor do ensino fundamental tenha gosto em trabalhar com a poesia. Respondendo a muitas perguntas feitas em cursos e oficinas de poesia e literatura, o livro apresenta atividades para que o professor saiba como explorar a poesia na sala de aula. Segundo a autora, Neusa Sorrenti, a poesia nos torna mais críticos, mais humanos e mais participantes. “Quem lê poesia, lê qualquer texto”.
A poética do devaneio
Autor: Gaston Bachelard
Editora: Martins Fontes
Neste livro, Bachelard tenta apresentar, de forma condensada, uma filosofia ontológica que põe de parte o caráter durável da infância. Não se trata de uma psicologia da criança, mas de uma abordagem da infância como tema de devaneio.
Poesia Infantil
Autora: Maria da Glória Bordini
Editora: Ática
(Sem imagem e descrição)
Estude mais:
Artigo de Luís Camargo sobre o panorama histórico da poesia infantil no Brasil.
Artigo de Regina Zilberman sobre Literatura Infantil.
Revista de poesia infantil Tigre Albino.
sábado, 14 de janeiro de 2012
A poesia de José Paulo Paes
Estou aproveitando as férias para pesquisar sobre poesia infantil, que será o tema da minha dissertação de Mestrado. Munida de uma mala recheada de livros do gênero, emprestada generosamente por uma amiga, pouco a pouco vou desvelando mais um pouco do encantador, divertido e inusitado universo que a poesia abarca em sua essência.
A poesia proporciona momentos lúdicos e prazerosos, evidenciando em sua estrutura a valorização da sonoridade, com rimas, assonâncias e aliterações bem como com trocadilhos e plurissignificações. A criança, ainda, ao vivenciá-la, entra em contato com seus medos, sentimentos e emoções, tornando a leitura um momento único para o seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo.
E, quando se fala em poesia voltada ao público infantil, logo alguns nomes rapidamente nos vêm à memória: Cecília Meireles, Mario Quintana, Sérgio Capparelli, Manuel de Barros, Henriqueta Lisboa, Elias José, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Leo Cunha, José Paulo Paes, entre outros.
Hoje gostaria de sugerir a leitura da obra do querido poeta José Paulo Paes, que nos deixou precioso material para compartilhar com as crianças. Antes que vire um artigo, vou apenas apresentar alguns títulos de livros e poemas do autor.
Menina recitando poema Convite
Veja também:
Transcrição de depoimento do poeta na V Jornada Nacional de Literatura, na revista de Poesia Infantil Tigre Albino.
Artigo do Prof.º Doutor João Luís de Almeida Machado, sobre a obra Poemas para brincar.
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